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Nota de esclarecimento do deputado Odair Cunha

20/12/2012

 

NOTA À IMPRENSA

O deputado federal Odair Cunha (PT-MG) refuta com veemência as informações de que se sentiu abandonado pelo partido, conforme consta hoje (20/12) no jornal Folha de São Paulo, em matéria intitulada “Derrotado, relator da CPI do Cachoeira diz ter sido abandonado”. Ressalte-se que tal informação parte de "interlocutor" não identificado e não tem autorização para falar em nome do deputado. Odair Cunha esclarece que recebeu apoio integral das bancadas do PT, no Senado e na Câmara, em todos os processos que se delinearam no decorrer da CPMI. A bancada petista esteve sempre com o relator, tanto nas articulações, quanto nas votações da Comissão e apoiou seu Relatório por completo, inclusive defendendo-o publicamente. Ademais, os votos do PT no relatório paralelo, aprovado pelo colegiado, não foram contrários ao relator, mas, sim contribuíram para que o texto elaborado por ele fosse remetido ao Ministério Público.


Assessoria de Comunicação

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Lista final das modificações feitas no Relatório de Odair Cunha

19/12/2012

Desde que apresentou seu Relatório à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), destinada à investigar as relações de agentes públicos e privados com a organização criminosa chefiada pelo contraventor Carlos Cachoeira, o deputado federal Odair Cunha (PT-MG) buscou o diálogo com todos os membros da comissão a fim de que seu texto fosse aprovado, representando o pensamento médio da maioria do colegiado.  Assim, na última reunião da CPMI, ocorrida na terça-feira (18/12), o relator informou as modificações no Relatório Final que acatou.

"Analisei cada uma das sugestões levantadas por Vossas Excelências ou apresentadas à Relatoria por meio da Secretaria desta Comissão.  Na intenção de acatar ao máximo a vontade do Colegiado, apresento a seguir as sugestões que incorporo, a partir de agora, no Relatório Final", disse Odair Cunha antes de iniciar a leitura das alterações que fez em seu documento.

 Leia abaixo a lista de modificações feitas pelo relator:

  1. Jornalistas. Há duas semanas excluí do Relatório a Parte VI que versava sobre a Organização Criminosa e os meios de Comunicação. A fim de garantir a coerência do Relatório com a Parte excluída, apresento agora um ajuste, conforme solicitado por Vossas Excelências na última reunião, que exclui do Capítulo de “Síntese dos Indiciamentos” o quadro do indiciamento dessa parte retirada, pois havia remanescido por um erro formal, e  excluí algumas citações a jornalistas ao longo do Relatório, que de alguma forma incriminava as ações ou fazia juízo de valor das relações estabelecidas. (É o caso do jornalista Eumano Silva, que não conversou com Carlos Cachoeira, mas dialogava com Idalberto Martins em evidente relação fonte-jornalista).
  2. Benedito Torres. Sobre o que coube a esta CPMI concernente ao Procurador de Justiça do Ministério Público de Goiás, Benedito Torres, o Relatório Final apresentado continha conclusão pelo encaminhamento das provas respectivas para o Ministério Público de Goiás – MP-GO e para o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás – TJ-GO, a fim de que estes órgãos tomassem as providências que entenderam cabíveis. Após a apresentação do Relatório Final, o mencionado Procurador de Justiça pediu ao Presidente da CPMI a retirada do encaminhamento, sustentando que os procedimentos investigatórios, instaurados no MP-GO e no TJ-GO nº 201291728171 e nº 201200248432, respectivamente, foram arquivados. Sendo assim, o      encaminhamento proposto na primeira versão do Relatório Final perdeu o objeto, pelo que se substitui tal encaminhamento pela conclusão de falta de indícios de crime ou ato de improbidade administrativa praticados por Benedito Torres.
  3. Vereador Elias Vaz. Em detrimento das razões apresentadas à CPMI pelo próprio Vereador Elias Vaz após a apresentação do Relatório Final, entendi por bem retirar o indiciamento inicialmente feito, uma vez que as denúncias realizadas, durante o seu exercício do seu mandato, foram objeto de encaminhamento e investigação do Ministério Público. As ponderações apresentadas pelo Vereador levaram ao entendimento de que o capítulo da individualização de conduta do Vereador do PSOL mencionado deve ser excluído, bem como o seu indiciamento. Para manter a coerência, foram ajustadas algumas menções a seu nome na Individualização de Conduta do Vereador Santana.
  4. Marco  Aurélio Bezerra da Rocha, Superintendente do INCRA. Foi retirado o Indiciamento do Servidor do Incra, Marco Aurélio Bezerra da Rocha, Superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) que inicialmente havia sido indiciado no Relatório Final em virtude da sua colaboração no episódio da Fazenda Gama, em que houve liberação em tempo exíguo do geo-referenciamento do imóvel, em desacordo com a legislação própria. A conclusão de sua participação se deu com base no relatório da Polícia Federal (nº169/2011NIP/SR/PDF/DF), pois os elementos ali apresentados apontaram a participação do Superintendente. Ocorreu que, em 12 de  dezembro deste ano, Marco Aurélio apresentou a esta CPMI, em sua defesa, processo disciplinar interno instaurado no âmbito do INCRA que investigou envolvidos com a prática de crime junto a Organização Criminosa, no que diz respeito ao Geo-Referenciamento da Fazenda Gama. O processo administrativo concluiu de forma categórica que Marco Aurélio Bezerra da Rocha não contribuiu no uso do exercício do cargo público para a pratica de qualquer ilícito penal. Analisei o      processo identifiquei de forma inconteste que ele não foi o responsável      pela Certificação do Imóve. Em      tempo e por razão de lídima justiça, o excluo do rol de indiciados.
  5. Rossine Guimarães. O Senador João da Costa requereu o desindiciamento do Sr. Rossine Guimarães sustentando, dentre outras argumentações, que as provas existentes são indiretas, isto é, há poucas interceptações telefônicas captadas tendo por interlocutor o investigado.  Assim, acolhendo o pedido, além de retirar o indiciamento, fiz algumas outras supressões ao longo do Relatório de modo a manter a coerência do texto. 

 

  • Modificações Formais:

 

6. Corrigi na Parte I a informação do total de requerimentos aprovados por esta Comissão que contava apenas os de quebra de sigilo. O número total de requerimentos aprovados é 537.

7. Ainda na Parte I, quando do resumo das oitivas, acolhi a manifestação da Deputada Íris de Araújo feita na última reunião, substituindo o nome da Senadora Lúcia Vânia para Deputada Íris de Araújo como autora da pergunta feita ao arquiteto Alexandre Milhomem. Informo que neste caso ocorreu um erro no registro das Notas Taquigráficas desta oitiva.

8. Corrigi, acatando requerimento do Deputado Ronaldo Fonseca, na Individualização de Conduta do Prefeito Geraldo Messias, o partido a que ele pertence. De PR para PP, Partido Progressista.

9. Retirei, acatando solicitações deste Plenário, menções remanescentes ao Procurador-Geral da República.  Constavam menções no Relatório do ex-Senador Demóstenes Torres e na justificativa de uma Proposta de Emenda à Constituição.

10.   Retirei, por perda de objeto, o Anexo V, que tratava de uma minuta de Representação em desfavor do Senador cassado Demóstenes Torres ao Conselho Nacional do Ministério Público.

  • Documentação recebida pela CPMI a ser encaminhada ao Ministério Público como Anexo do Relatório:

Após a apresentação do relatório foram apresentados documentos de suma importância que trazem esclarecimentos e, por tanto, deverão acompanhar em anexo o Relatório Final votado a fim de serem remetidos aos órgãos pertinentes. Quais sejam:

  1. Documentação juntada pela empresa MEGS ASSESSORIA JURÍDICA SOCIEDADE SIMPLES LTDA. – A documentação traz esclarecimentos acerca do recebimento de recursos originários da CONSTRUTORA RIO TOCANTINS no valor de R$ 98.000,00 (noventa e oito mil reais). É importante ressaltar que a razão social da empresa  consta do Relatório apenas como beneficiária da CRT, sem nenhum juízo de valor ou mesmo pedido de investigação. A esse respeito, sugiro que a documentação enviada por esta empresa à CPMI seja encaminhada ao Ministério Público.
  2. Documento apresentado pelo Procurador Geral de Justiça Benedito Torres - A  documentação atesta que as investigações sugeridas pelo Relatório Final já foram efetivadas e encerradas tanto no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás como Ministério Público do Estado de Goiás;
  3. Ofício apresentado pelo Dep. Maurício Quintella Lessa - O ofício faz referência a documentação apresentada pelo Deputado Sandes Junior em que trata do arquivamento do processo na Corregedoria da Câmara dos Deputados, bem como sobre as razões da doação realizada pela empresa MIDWAY;
  4. Documentação juntada por Rodrigo Jardim do Amaral servidor da Terracap – O documento traz esclarecimentos acerca do episódio relacionado à aquisição da Fazenda Gama pela ORGCRIM;
  5. Documentação juntada por José Raimundo dos Santos – O documento traz esclarecimentos acerca do episódio relacionado à aquisição da Fazenda Gama pela ORGCRIM;

 

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Números da CPMI no Relatório Final

18/12/2012

Assessoria de Comunicação

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que investigou o esquema criminoso do contraventor Carlos Augusto Ramos e suas relações com agentes públicos e privados, aprovou 537 requerimentos, convocando 109 pessoas para prestar esclarecimentos e convidando outras quatro. Foram oficiadas 40 convocações, das quais 16 prestaram esclarecimentos ao Plenário da CPMI e 24 não. Dos 275 requerimentos aprovados, 144 foram de providências ou requisição de documentos e informações a órgãos públicos e instituições privadas. Foram realizadas 32 reuniões, nas quais foram ouvidas 16 pessoas convocadas e 4 convidadas. Compareceram e optaram por permanecer em silêncio, munidas de habeas corpus, 24 pessoas. Foram realizadas 8 reuniões administrativas e 21 reuniões de oitivas.

Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado

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Quebras de Sigilo e o maior banco de dados fiscais e bancários já recebido pelo Congresso

18/12/2012

Conforme as informações foram surgindo no decorrer dos sete meses de intensos trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), destinada a investigar o esquema criminoso do contraventor goiano Carlos Cachoeira, a comissão requisitou quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico dos envolvidos, que muito contribuíram para o avanço da investigação do relator da CPMI Odair Cunha (PT-MG). Do cruzamento de dados, Cunha encontrou indícios de movimentação financeira ilícita e suspeita de infiltração da Organização Criminosa no Estado de Goiás.

Além disso, os requerimentos aprovados pelo colegiado também solicitaram o encaminhamento à CPMI de documentos e informações por parte de órgãos públicos e empresas privadas, além de pessoas físicas, que aparecem no Relatório Final. Assim, a comissão aprovou a quebra de 92 sigilos bancários, 91 sigilos fiscais e 88 sigilos telefônicos. Dos 92 sigilos bancários, 60 foram de pessoas jurídicas e 32 de pessoas físicas. Dos sigilos ficais afastados, 60 foram de pessoas jurídicas e 31 de pessoas físicas. Em relação aos sigilos telefônicos, foram 58 quebras de pessoas jurídicas e 30 de pessoas físicas.

“Desvendamos os esquemas da Organização Criminosa de Carlos Cachoeira com cruzamento de dados obtidos na investigação das pessoas físicas e jurídicas que a compõem, estabelecendo relações financeiras entre elas e mostrando a aquisição de patrimônio a partir de atividade de contravenção”, diz o relator sobre as quebras de sigilo que recebeu ao longo de sua investigação. O texto final de Cunha aponta que as 75 empresas e pessoas físicas com quebras de sigilo bancário, cujo material foi enviado à CPMI, totalizaram R$ 84 bilhões movimentados entre 2002 e 2012, sendo R$ 42 bilhões em créditos e R$ 42bilhões em débitos. “São mais de R$ 84 bilhões, em movimentação financeira”, explica ele.

Segundo os dados que a relatoria da CPMI recebeu, 88,70% das transações envolvendo cheques não estão identificadas e as transferências entre contas não identificadas totalizam R$ 632 milhões em créditos e R$ 852 milhões em débitos. Com todas essas informações descritas no Relatório Final da CPMI do Cachoeira, significa dizer que está colocado à disposição das instituições de investigação “o maior banco de dados fiscais e bancários que já receberam do Congresso Nacional brasileiro”.

 

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Relatório Final revela o esquema de Cachoeira com a Delta e outras empresas

17/12/2012

Com base nos dados bancários e fiscais que chegaram à CPMI, informações que aparecem no Relatório Final, elaborado pelo deputado federal Odair Cunha (PT-MG), não deixam dúvidas de que a empresa Delta Construções irrigou as contas das empresas fantasmas de Cachoeira. São elas: Alberto & Pantoja Construções e Transportes Ltda., Brava Construções e Terraplanagem Ltda., G & C Construções e Incorporações, Miranda & Silva Construções e Terraplenagem Ltda., Construtora Veloso e Conceição Ltda., JR Prestadora de Serviços, Construtora e Incorporadora Ltda., GM Comércio de Pneus e Peças Ltda. Todas essas descobertas no curso da investigação produzida pelo relator Odair Cunha.

O Relatório Final diz que a Delta Construções foi responsável pelo depósito de R$ 98 milhões, nas contas de cincodas sete empresas fantasmas do grupo de Cachoeira, o que equivale a cerca de 66% do total movimentado. O documento revela também que os recursos enviados às empresas fantasmas eram usados para manutenção e funcionamento da organização criminosa, bem como de seus membros, e também para diversas outras atividades escusas. “Foram investigadas, dentro das limitações constitucionais do nosso trabalho, todas essas empresas, os valores movimentados e as irregularidades que as caracterizam”, explica Cunha.

O Relatório Final sugere também que sejam remetidos à Receita Federal, ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal, os documentos, depoimentos e demais provas produzidas pela CPMI em relação à 117 empresas suspeitas de envolvimento com a organização criminosa de Carlos Cachoeira, dentre elas, a Delta Construções e suas filiais e a Rio Tocantins Construtora. Transferindo-se, inclusive, os sigilos bancário, fiscal e telefônico, com recomendações para instaurem procedimentos investigatórios contra as mesmas e seus sócios (inclusive sócios pessoas jurídicas), de modo a verificar o cometimento de ilícitos administrativos e tributários, crimes contra a administração pública, crimes de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas e crimes contra a ordem tributária e econômica.

Importante destacar ainda que, no que tange à Delta Construções, conquanto o foco tenha sido as relações desta empresa com Carlos Cachoeira, a investigação feita pela relator da CPMI Odair Cunha se deparou com diversas transações suspeitas, em âmbito nacional. Como exemplo, o Relatório Final cita as transações entre a Delta e núcleo empresarial ligado a Adir Assad. As 19 empresas deste grupo receberam da construtora aproximadamente R$ 265 milhões, entre 2007 e 2012. O relatório revela que tais empresas eram usadas para lavagem e ocultação de recursos financeiros e mostra todos os beneficiários (pessoas físicas e jurídicas) dos recursos oriundos dessas empresas. O documento também aponta o caminho do dinheiro que deverá ser percorrido pelos órgãos de investigação permanente do Estado, para onde o Relatório Final será encaminhado depois de aprovado no plenário da Comissão.

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A Estrutura do Relatório Final da CPMI do Cachoeira

17/12/2012

Entenda como o documento de Odair Cunha foi elaborado

Produzido pelo deputado federal Odair Cunha (PT-MG), o Relatório Final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que investigou o esquema criminoso do contraventor Carlos Cachoeira, está dividido em seis partes. Inicialmente dividido em oito, o relator Odair Cunha optou por suprimir as partes 6 e 7 do seu documento, atendendo às solicitações de integrantes da comissão e sem prejuízo ao essencial do Relatório Final, para que o texto a ser aprovado seja o resultado de um esforço da Comissão.

A Parte I do Relatório de Cunha retrata o papel da CPMI, os trabalhos realizados com procedimentos investigativos, dados compartilhados dos órgãos de controle, documentos partilhados pelo Poder Judiciário e relatórios descritivos consequentes das operações da Polícia Federal. O volume de material analisado pelo relator surpreendeu. Foram 69.694 páginas referentes a sigilos bancários, 11.333 folhas relativas a quebras de sigilo fiscal de 75 pessoas físicas e jurídicas e, ainda, 45.594 páginas de extratos de ligações telefônicas. Somando documentos, planilhas, fotos, vídeos, extratos, áudios e relatórios analíticos, chega-se ao total de 1,1 terabayte de informações recebidas.

A Parte II traz a definição de Organização Criminosa, o marco legal da exploração dos jogos no Brasil, discorre sobre as duas operações da Polícia Federal - Vegas e Monte Carlo e elucida o aparecimento do personagem “Carlos Cachoeira” e sua associação com as empresas de construção civil. “Do Financiamento da Organização Criminosa” é o tema da Parte III do Relatório Final, a construção do que vem a ser o “Triângulo de Ferro” no Estado de Goiás e a Organização Criminosa de Carlos Cachoeira, apontando e identificando cada um dos vértices desse triângulo (vértice das atividades ilegais, vértice das empresas com atividades formalmente legais e o vértice do mundo político), bem como apresenta, ainda, os vasos comunicantes do Triângulo de Ferro que resultaram na lavagem do dinheiro.

As Partes IV e V indicam as vinculações entre o grupo investigado e integrantes de diferentes níveis do Estado Federado Brasileiro, União, Estados, Distrito Federal e Municípios, bem como nas três esferas do Poder: Executivo, Legislativo e Judiciário, demonstrando ampla teia de relacionamentos da Organização Criminosa de Carlos Cachoeira e também as implicações com agentes privados. Por fim, a Parte VI divide responsabilidades e faz propostas e sugestões de aperfeiçoamento da legislação brasileira, visando dotar o Estado de mais e melhores instrumentos de enfrentamento da criminalidade.

 
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Relatório Final de Odair Cunha será votado nesta terça

17/12/2012

O Relatório Final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que investigou o esquema criminoso do contraventor Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, e suas relações com agentes públicos e privados, será votado nesta terça-feira, 18/12, pelos membros da comissão, em reunião marcada para ás 10h15, no plenário 2 da Ala Senador Nilo Coelho, no Senado Federal.

Com 4887 páginas, o Relatório Final da CPMI, elaborado pelo deputado federal Odair Cunha (PT-MG), identificou em pormenores uma das maiores e mais complexas organizações criminosas já estruturadas no País e que há alguns anos vinha conseguindo inúmeros êxitos e expandido, a passos largos, seus negócios e ramos de atuação. No documento de Odair está identificado, por exemplo, todos os agentes públicos e privados que aderiram ou colaboraram com a organização criminosa e, com base nas provas amealhadas na investigação, o texto pede o indiciamento de 41 pessoas, sendo 12 pedidos de responsabilização de pessoas que possuem foro privilegiado na Justiça. O texto ainda sugere maiores investigações sobre seis pessoas envolvidas com o grupo criminoso.

“Fizemos uma investigação profunda, consistente, serena e compromissada. A organização criminosa chefiada por Carlos Cachoeira foi elucidada à exaustão. O modus operandi do grupo, as relações com agentes públicos e políticos, suas fontes de financiamento, relações empresariais, enfim, todo o organograma e funcionamento dessa complexa estrutura criminosa foi minuciosamente delineada em nosso trabalho”, explica o relator Odair Cunha sobre seu parecer entregue há cerca de um mês à comissão e, desde então, amplamente discutido pelo colegiado da CPMI.

Lendo o material produzido por Cunha, pode-se observar que o relator cumpriu o que disse no início da CPMI, quando afirmou que faria “uma investigação séria, contundente, atrelada aos fatos e provas, doa a quem doer”. No Relatório Final, todas as empresas direta ou indiretamente ligadas a Carlos Cachoeira foram objeto de investigação. Odair Cunha chegou a uma lista de sete empresas vinculadas à organização criminosa de Carlos Cachoeira que são comprovadamente fantasmas. São elas: Alberto & Pantoja Construções e Transportes Ltda., Brava Construções e Terraplanagem Ltda., G & C Construções e Incorporações, Miranda & Silva Construções e Terraplenagem Ltda., Construtora Veloso e Conceição Ltda., JR Prestadora de Serviços, Construtora e Incorporadora Ltda., GM Comércio de Pneus e Peças Ltda.

O Relatório Final aponta que essas empresas fantasmas foram criadas a partir de 2008/2009, justamente quando a relação entre Carlos Cachoeira e Claudio Abreu, ex-diretor regional da empresa Delta Construções, assume, de acordo com as informações dos áudios feitos pela Polícia Federal, contornos mais “profissionais”, por assim dizer. O volume de recursos que passou por essas sete empresas, segundo o texto, superou a R$ 148 milhões, num período de pouco mais de quatro anos. Trata-se de um valor considerável, principalmente quando se leva em consideração que tais empresas não têm qualquer atividade econômica real. Foram criadas apenas e tão somente para ocultar transações financeiras.

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Leia na íntegra a apresentação do Relatório Final da CPMI, lida hoje de manhã pelo Relator


Leia na íntegra o Relatório Final da CPMI

23/11/2012

CPMI - Práticas criminosas desvendadas pelas operações "Vegas" e "Monte Carlo", da Polícia Federal - CPMIVEGAS

 

Relatório final apresentado - parte 1

 

Relatório final apresentado - parte 2

Foto: Laycer Tomaz / Agência Câmara

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Artigo: Versões e fatos

19/11/2012

"Nosso tempo, sem dúvida...

prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser...".

 (Feuerbach, Prefácio à segunda edição de A essência do cristianismos)


Definitivamente, vivemos a era das versões. Vale pouco o esforço hercúleo para dissipar nuvens e produzir resultados comprometidos com o avanço das instituições nacionais: a regra é enaltecer a imagem, não a realidade. Assim, a seara política é tomada de assalto pela disputa de interpretações, apartando-se dos fatos.

Nessa era das versões, a CPMI criada para investigar as relações entre um conhecido contraventor e agentes públicos e privados revela tais ligações à sociedade, mas a imagem de que a investigação não saiu do lugar se cristaliza. Na era das versões, não dos fatos, as investigações desnudam a presença de uma construtora no esquema, quebra-se o sigilo bancário dela, mas paira uma - inexistente! - falta de vontade da CPMI de investigar tal construtora. Da mesma forma, nega-se a importância política da CPMI na cassação do mandato do senador que se colocou a serviço do contraventor.

Na era das versões, erigiu-se um discurso de antemão, o de que o objetivo da CPMI é ofuscar o julgamento da Ação Penal 470 ou ir à forra contra inimigos políticos. Pouco importa se esse "inimigo", de fato, teve participação, beneficiou-se ou colaborou para o funcionamento da organização criminosa investigada: sobressai, sempre, a versão do interesse político, não a relevância de combater a corrupção.

E se "a CPMI só política" decide não colher depoimentos no período eleitoral, quando o julgamento avança a pleno vapor, tal fato não muda a compreensão sobre a investigação, que segue "politicamente dirigida" no que é difundido ao público. Na era das versões, os investigadores sofrem críticas porque os depoentes comparecem com amparo judicial para não falar, mas também porque interrompem os depoimentos, que pouco contribuíram às investigações. Afinal, é preciso manter o espetáculo das versões para o necessário desgaste do Congresso Nacional e da CPMI...

E quando o Ministério Público pede à Justiça o bloqueio de bens de investigados, leva sozinho os louros, ainda que a iniciativa tenha sido articulada com a CPMI, em movimentação ocorrida no período em que os trabalhos estavam "parados". Como se a necessidade de parceria entre os órgãos de investigação não fosse algo a ser estimulado.

Na era das versões, não dos fatos, estridente grupo de parlamentares "ameaça", e concretiza, um pedido de investigação ao Ministério Público antes da apreciação do relatório final, que, sabidamente, conterá recomendações mais amplas ao parquet. Assim, difunde-se com mais pompa a versão de que a disposição de investigar passou ao largo do comando da CPMI, cujos resultados, positivos ou negativos, serão de responsabilidade de toda a comissão. Ademais, o país inteiro gostaria de ver os mesmos que se exaltam se empenharem também pela criação de CPIs, por exemplo, na Assembleia Legislativa de São Paulo, ao invés de interditá-las.

Desde o germinar desta investigação, tenho atuado com transparência e serenidade. Firmei o compromisso de apresentar um amplo e detalhado mapa do que se descortinou ao longo dos trabalhos da CPMI, dissecando as relações criminosas desvendadas - com agentes públicos e privados - e identificando novas frentes de apuração, para a continuidade do processo investigativo. Reafirmo aqui, novamente, esse compromisso.

A busca dos fatos é árdua e pode desestimular os que se acostumaram à era das versões, mas a responsabilidade de apresentar à sociedade um relatório consequente é inexpugnável. A luz dos holofotes pode até ser atraente, mas nos afasta desse objetivo e do nobre papel de representar os cidadãos. Logo, que fique claro: esse caminho não percorrerei.

 

ODAIR CUNHA

Deputado federal pelo PT-MG e relator da CPMI que investiga Carlinhos Cachoeira

Foto: Geraldo Magela / Agência Senado

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